PROCESSO
Recolho madeiras de origens diversas — podas urbanas, manejo rural, achados — e cada fragmento passa por observação prolongada. Estudo padrões de veio (revelam direção de crescimento), variações cromáticas (indicam densidade), peculiaridades morfológicas (bifurcações, nós, acidentes).
O descascamento é revelação: remove-se o opaco, aparece textura sedosa, geometria insuspeita. A secagem — lenta, monitorada — é quando a madeira "fala": deforma-se, abre fissuras, estabiliza-se.
Esculpo respeitando essa lógica interna. Não busco simetrias ou regularidades. Me interessam os acidentes, as marcas do tempo — o que torna cada peça irrepetível.
O polimento é gradual, quase meditativo. Busco brilho que amplifique a luz natural da fibra sem artificializar. Os banhos metálicos — ouro, prata oxidada, cobre — são aplicados como desenho: ressaltam contornos, criam tensões visuais entre orgânico e manufaturado.
Um processo arqueológico
O descascar
O primeiro gesto para revelar o tempo escondido da natureza.
a profusão de sensações
A umidade da madeira, o perfume da seiva, a temperatura fria sob a casca aspera.
as CASCAs
A beleza que não se perde, se transforma em adubo ou materia prima para uso medicinal
A espera
Semanas se passam até que a matéria viva possa se estabilizar novamente fora da terra
o natural é exposto
Sob a casca se esconde o brilho natural das fibras da madeira.
A caligrafia única
Um desenho que a natureza levou décadas para traçar e nunca repetirá.
a diversidade
Oleos naturais expõe a riqueza singular de cada fragmento.
o tempo não tem pressa
Transformar descarte em presença exige paciência. O vídeo revela o percurso invisível de cada peça STÀ: da busca atenta pelo galho caído à revelação da joia. Não domesticamos a matéria; apenas limpamos o caminho para que a beleza do tempo possa, enfim, aparecer.