A madeira
lapidando o que a natureza formou para atravessar séculos.
Trabalho com madeiras de lei de alta densidade.
Não escolho qualquer galho, busco fragmentos com corpo suficiente para serem lapidados como se fossem pedras preciosas.
O processo é lento: esculpir, lixar, polir — até que o brilho interno das fibras apareça. Não aplico brilho, revelo o que já existe.
É um ponto que a maioria dos trabalhos com madeira nunca atinge, porque exige um rigor de polimento que transcende o tempo da produção comum.
O que aparece no final é a essência da madeira: veios com profundidade real, reflexos que mudam com a luz, cores que não existiam na superfície áspera. Tudo isso já estava lá, preservado pela densidade. O meu trabalho é o de insistir no gesto até que a superfície finalmente ceda e exponha a sua identidade.
As madeiras que uso duram centenas de anos. Não são frágeis, não são provisórias. Mas são vivas o suficiente para registrar o tempo: uma patina que se intensifica, um tom que amadurece, o brilho que se acomoda ao uso. Isso não é defeito a ser corrigido, é a matéria fazendo o que a matéria faz. Objetos que fingem não envelhecer mentem sobre o que são. STÀ não faz isso. Cada peça envelhece — como madeira nobre envelhece: ganhando presença, não perdendo.
Segredos escondidos